Crítica | Divertida Mente
By João 6/17/2015 11:24:00 AM crítica , Divertida Mente , Divertidamente , Inside Out , Peter Docter

E depois de um ano sem nenhum lançamento a Pixar volta a todo vapor com o emocionante Divertida Mente. O filme se resolve em torno da jovem Riley, que ao completar 11 anos descobre que tem de ser mudar para San Francisco, deixando tudo que conhece para trás. A sua vida parece cada vez mais complicada, principalmente dentro da sua cabeça, onde a magia do filme ocorre. O espectador é rapidamente exposto as suas emoções: Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho.
Notas:
- Assisti o filme numa sessão Legendada, não sei dizer se o trabalho de dublagem Brasileiro ficou bom, mas os dubladores originais são excelentes.
- Antes da exibição do filme é exibido o curta ‘LAVA’, infelizmente um dos piores curtas já produzidos pela Pixar.
- Tem cenas durante o inicio dos créditos.
Crítica | iZombie - 1ª Temporada
By João 6/12/2015 09:48:00 AM crítica , iZombie , Séries , the cw , topo , Vertigo
Série brinca com sua própria mitologia de zumbis.

Crítica | Jurassic World
By João 6/11/2015 03:37:00 AM Bryce Dallas Howard , Chris Pratt , crítica , filme , jurassic park , Jurassic World , Vários
Não posso evitar falar do clichê da própria trama: é aquilo que você pode esperar dos filmes da série, a essência é a mesma e afinal, quem realmente acharia que seria uma boa ideia abrir um parque com dinossauros? Pior, com total consciência do que ocorreu anos antes, pois é… esse auto conhecimento do filme é um problema para estabelecer um grau de sentido dentro do próprio universo. Agora o filme entrega o que prometeu desde o primeiro trailer, entrega um filme dos anos 90 com corpo de 2015, entrega dinossauros, personagens interessantes e os momentos de tensão! Mesmo sendo produzido como um filme de familia 'Jurassic World' consegue ter cenas um tanto pesadas.
O roteiro assinado pelo próprio diretor e mais três nomes (Rick Jaffa, Amanda Silver, Derek Connolly) da umas escorregadas que atrapalharam o ato final, que devido a excessos e escacasses deixaram o final do filme um tanto não propositalmente cômico, mal explicado e um tanto exagerado. A trilha sonora composta por John Williams para o original não foi esquecida pelo compositor Michael Gianchinno, de UP e Lost, que as atualizou e usou e abusou delas, com altas chances que você saia do cinema com as notas da musica tema na cabeça. Ainda assim, qualquer fã do original deve gostar do filme, muito mais eficaz que as continuações originais. Sinceramente, nesses dias nem o próprio Spielberg (Jurassic Park) teria feito melhor.Crítica | Sense8 - 1ª Temporada
By João 6/07/2015 03:04:00 PM crítica , Netflix , Sense8 , Séries , topo , Vários , Wachowski
Netflix estreia nova série com trama rica e personagens bem desenvolvidos

Sense8 é a mais nova série do catálogo de produções originais da Netflix e é mais um acerto para a lista do serviço de streaming. É fruto da cabeça dos irmãos Wachowski, também responsáveis pela trilogia Matrix. Em Sense8, os protagonistas são oito pessoas espalhadas ao redor do mundo que possuem um tipo de ligação psíquica. O que é essa ligação e o porquê de eles a possuírem são mistérios que vão sendo desenvolvidos ao longo da temporada.
Crítica | The Flash - 1ª Temporada
By João 5/20/2015 10:53:00 AM Arrow , crítica , CW , Flash , Séries , topo
O Corredor Escarlate chega à TV e faz um bom trabalho.
A tão comentada e aguardada série de TV do Flash terminou sua primeira temporada em alta. Com a maior audiência do canal The CW nesta fall season, a série já possui segunda temporada garantida e, se continuar desse jeito, terá vida longa. Os roteiristas parecem ter tudo planejado, e, pelo menos até agora, tudo está se encaminhando para um caminho interessante.
Crítica | House Of Cards - 3ª Temporada
By João 4/27/2015 01:20:00 AM crítica , House of Cards , Séries , topo
O Xeque-mate dos Underwood
No mundo das séries, é quase uma regra que se a produção tiver uma temporada de estreia excelente, ela não conseguirá manter o ritmo pelas próximas. Dentre as que quebraram a regra e se agruparam entre as exceções, está House of Cards.
House of Cards, desde sua estreia, provou que pode ser considerada uma das séries mais fascinantes dos últimos anos. A qualidade da série exala, desde sua produção, fotografia, e todos os termos técnicos, até a atuação de todos (sem exceção) do elenco. O carro chefe, Kevin Spacey, dá um show que deixa um texto como esse sem adjetivos a sua altura, na pele de Frank Underwood (sem dúvida um dos personagens mais instigantes da história dos Tv Shows).
A relação entre o casal Underwood, que já vinha sendo explorada no final da segunda temporada, e em alguns feixes da primeira, é colocada em primeiro plano, fazendo com que nós, telespectadores, junto a Frank, percebamos que Claire Underwood é a Rainha desse tabuleiro de xadrez político construído pelo governo de seu marido. Como presidente, as falcatruas e trapaças de Frank estão mais absurdas que nunca, o que aumenta ainda mais a probabilidade de uma crise no casamento acontecer. E é o que acontece, porém não estamos vendo uma crise conjugal de um casal comum. Estamos presenciando os bastidores de um casamento político. Mais especificamente, o casamento do Presidente e da Primeira Dama dos Estados Unidos da America.
E o presidente está mais dependente que nunca da sua Primeira e fascinante Dama, queira ele admitir o fato ou não.
Um dos itens mais interessantes em House of Cards é a forma como o Underwood ultrapassa as paredes da cinematografia e interage com o telespectador. Uma pessoa tão respeitada como Frank, que passa tanto medo e segurança, ali, falando com você, um mero mortal. Esse é um dos itens-chaves da série, o quanto ela te coloca na presença da situação, o quanto você sente o cerco se fechando, e o nível da verossimilidade da política que nos é apresentada. Você é o confessionário de Frank Underwood, e só você conhece cada milímetro do cérebro desgraçado dele, embora ele adore nos passar a perna as vezes. É como fazer parte da casa de cartas dos Estados Unidos da América, a qual mesmo você não querendo sujar as mãos, vendo políticos literalmente se matarem, não resiste e não só suja, mas lambuza as mãos com o sangue da política. A carne é fraca demais diante dos prazeres disponibilizados por House of Cards. E é impossível resistir ao fato de poder ver os bastidores desse congresso de fascistas. E o responsável por isso, por essa sua culpa em amar assistir a House of Cards, é o próprio protagonista, Frank Underwood.
Underwood pode ser definido como o personagem que você detesta admitir que admira. Eu admiro Frank Underwood e tenho medo da reputação que posso passar aos leitores desse texto, mas é a mais pura verdade. Embora sem escrúpulos nenhum, Frank fucking Underwood é um dos maiores gênios que a teledramaturgia americana já criou. Não dá nem para chamá-lo de anti-herói, por que o que ele verdadeiramente é, é um vilão. É um vilão corrupto, assassino, mal caráter, infiel, ardiloso e entupido de maldade até os poros. Mas é um vilão inteligente, e você amaria ter metade da inteligência de Underwood. Você admira Underwood assim como eu, é só uma questão de tempo até você se acostumar com essa ideia (se não consegue aceitá-la).
Mas esse ano, nem mesmo a inteligencia de Underwood pode assegurá-lhe a tão sonhada presidência (conquistada na marra). Há uma frase na temporada, no, talvez, melhor episódio dela toda, que define Underwood muito bem (apesar de ser o próprio a citá-la, alimentando o próprio ego exorbitante):
"Você sabe o que necessita coragem? Segurar tudo isso quando o nível de tudo está lá em cima".
Os níveis de tudo estão lá em cima nesse novo ano de House of Cards, e o que torna tudo ainda melhor, além de Frank Underwood ser o comandante de uma das maiores potências mundiais, é a sua fraqueza no relacionamento com Claire. O casamento dos dois nunca foi a prova de balas, e isso é perceptível desde a primeira temporada. Mas aqui, nós temos o retrato íntimo da situação toda. Uma panorama do caos conjugal. E nesse caos, Claire é quase nivelada ao nível de importância de Frank, deixada atrás apenas pelo fato dele já ter conquistado o público quase que totalmente, deixando ela como uma coadjuvante, mesmo não sendo.
Claire nunca esteve tão presente nunca temporada de House of Cards até hoje, e não desagradou nenhum pouco. Desde sua entrada como embaixadora da ONU, até pegar para si as rédeas e tentar conduzir o casamento da melhor forma possível, a personagem mostrou para o que veio e que tem a inteligência e malícia do mesmo nível de seu marido. É incrível como Claire Underwood é tão igual a Frank Underwood, e tão diferente ao mesmo tempo. A relação dos dois é, acima de tudo, de parceria, de negócio. É diplomática.
É claro que há amor, e se não é amor é algum sentimento não definido. Aliás, não dá para definir nenhum dos dois. Frank é uma incógnita em todos os sentidos, desde sua sexualidade, até sua incrível capacidade de mudar de opinião enxergando os passos e os movimentos que a sua peça adversária fará no tabuleiro de Xadrez.
Claire é a Rainha, a que não pode ser descarda do jogo, muito menos cair. Mas cai. Xeque-mate.
A decisão tomada pela Primeira Dama na última e arrebatadora cena da temporada foi uma das coisas, se não a mais importante coisa que aconteceu em toda House of Cards. Nada de Frank sendo presidente! Claire tomando a decisão tomada foi o ápice que essa série chegou, e é realmente uma pena termos que esperar a próxima temporada.
Sem Claire Underwood, Frank é só Frank. E Frank sabe disso. Ele mesmo disse.
Com sua melhor season finale, e melhor temporada, House of Cards nos deixa órfãos novamente, mas com a recompensa pela espera dada. Restá-nos a certeza de um Frank desesperado no próximo ano, ansiando para saber se é reeleito como presidente, para assim, ao menos, ter ganho a batalha de forma justa (na medida do possível estipulada por ele mesmo).
E se Frank Underwood está desesperado, você também está. Por que você sabe que quando está com os olhos House of Cards, você é a pessoa em quem Frank Underwood revela seus segredos mais íntimos. E você sabe, confesse: a melhor coisa de ser um telespectador de House of Cards é, por 50 minutos, se sentir como Frank Underwood.

Crítica | Vingadores: Era de Ultron (2015)
By João 4/23/2015 04:15:00 PM A Era de Ultron , crítica , Marvel , Os Vingadores
Com um universo crescendo em uma velocidade impressionante, seria fácil esperar que "Vingadores: Era de Ultron" fosse o momento para todo esse universo colidir, afinal, foi em Vingadores (2012) que todos os personagens desse mundo, ainda pequeno naquela época, se juntaram. Todavia, não é isso que ocorre neste segundo filme que decide, por cima de grande parte das expectativas, focar basicamente nas mesmas pessoas. É um filme evento? Sim, mas principalmente é um filme sobre os vingadores como pessoas.
Sem delongas o filme começa com o grupo já unido a pedido de Thor para recuperar o cetro de Loki, que foi capturado pela Hydra no final de Capitão América: Soldado Invernal (2014). Ao recuperar o cetro, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark Ruffalo), o usa para desenvolver uma inteligência artificial capaz de sozinha salvar o mundo, e é bom lembrar coisas assim estão martelando na cabeça do personagem desde Homem de Ferro 3. Essa “inteligência", como a maior parte delas, percebe que a única forma de deixar o planeta em paz, sem guerras, sem fome, é se tirar os humanos, e aí nasce o vilão... Ultron (James Spader).
real tem diversas cenas de ação, e a segunda metade é o extremo oposto, o que é bom, mas faz parecer que faltou um controle do Whedon. O tanto quanto pareceu faltar coisas, pareceu ter coisas demais e a estrutura do filme sofreu para manter a escala épica necessária para contar a historia. Fora isso o filme consegue fazer o que o primeiro filme fez de melhor: cria uma dinâmica ainda mais vivaz entre os personagens, antigos e novos.
E com dinamismo incluo coisas como a incrível briga entre Hulk e Homem de Ferro, as discussões do Stark com o Capitão America (Chris Evans), a desconfiança dos gêmeos aos vingadores e até uma relação amorosa entre Banner e a viúva, tudo que parece ser uma calma dica do que vamos esperar do futuro. Faltou uma relação extra entre os filmes e séries? Talvez, mas ele vive sozinho e é isso que importa no final das contas... e não é justo dizer que ele não tem MUITAS ligações menores aqui e ali, agora como ele vai afetar filmes como “Capitão America: Guerra Civil”, “Thor 3: Ragnarok” ou mesmo a série “Agent’s of S.H.I.E.L.D” é sem duvida algo que só esperando para ver... e "Era de Ultron" não da motivos para esperar menos do futuro da Marvel.
Crítica | Demolidor - 1ª Temporada
By João 4/12/2015 01:13:00 PM crítica , daredevil , Demolidor , Marvel , Netflix , série
A primeira série fruto da parceria entre Marvel e Netflix acerta no tom.

Com o crescente número de séries baseadas em histórias de super-heróis, pode ser que algumas pessoas tenham certo receio de que produções do tipo sejam repetitivas. Demolidor, nova série da Netflix, estreou sua primeira temporada nesta semana provando que não é mais um caso de “mais do mesmo”.

Crítica | Cinderela (2015)
By João 3/24/2015 03:58:00 PM Cinderela , crítica , Disney , remake

Cinderela é a primeira vez que a Disney tenta de fato adaptar uma de suas animações de forma fiel para os cinemas, mas será que um remake como esse funciona? Bem, a resposta é fácil, sim. Com Alice nos Pais das Maravilhas (2010) a empresa percebeu que as pessoas tinham interesse em ver mais de seus contos clássicos. O filme era uma continuação da animação de mesmo nome e fez mais de 1 bilhão de dólares de bilheteria e com isso fez que uma nova era de live-actions surgisse no estúdio. De lá pra cá a Disney já lançou Oz: Mágico e Poderoso (2013), Malévola (2014) e agora com Cinderela decide voltar para perto de suas origens.
Crítica | A Série Divergente: Insurgente
By João 3/20/2015 04:46:00 PM crítica , Divergent , Insurgent

O longa é o segundo filme da franquia inspirada na trilogia literária de Veronica Roth: Divergente, Insurgente e Convergente. Na sequência, acompanhamos Tris (Shailene Woodley) e Four (Theo James), transformados em inimigos públicos. O governo é personificado na imagem de Jeanine Matthews (Kate Winslet), que busca fazer uma limpeza em toda a sociedade daqueles que são “Divergentes”, por esses apresentarem ameaça ao mecanismo de facções instalado, que nada mais é que uma ditadura mascarada.
O livro “Insurgente” é definitivamente melhor que “Divergente”, por isso se esperava que a adaptação cinematográfica também ficaria milhões de vezes melhor, como ocorreu na saga “Jogos Vorazes”, mas, infelizmente, a troca de diretor não foi benéfica.
Talvez o filme vá divertir mais quem não leu o livro, porque tem bastante ação, explosões, tiro, porrada, romance na medida certa. Agora para os fãs que esperavam alguma espécie de cópia do livro, ou pelo menos 80% parecido, podem esperar decepção, porque não é nenhum “Percy Jackson” da vida, mas com certeza, deixaram muita coisa de lado, focaram em outras e tomaram novos rumos. E que venha Convergente – Parte 1.

Crítica | Selma - Uma Luta Pela Igualdade
By João 1/31/2015 03:47:00 PM crítica , filme , Oscar 2015 , Selma , topo
Selma como palco de um dos maiores movimentos da história.
Porém, importante ressaltar que, algumas vezes, o filme passa a sensação de sensacionalismo: A questão épica, a trilha sonora das duas sequências e em que o exército de negros que protestam contra a desigualdade do governo para com sua etnia, onde do outro lado encontrá-se o exército da força policial. É um problema extremamente pessoal e não, exatamente, um problema para o longa. Mas como espectador, as cenas de confronto pacífico me passariam a sensação muito maior de emoção caso fossem tratadas de outra forma. As expressão dos personagens, a caminhada coreografada, e a câmera nas alturas, me passaram a sensação de não verossimilidade, e a vontade óbvia do filme emocionar seu publico simplesmente não acontece.
Depois da sessão, fiquei tentando achar o fator pelo qual o filme não me tocou, apesar de ter tudo inclinado para que isso aconteça: um drama enorme, uma história trágica e absurda (onde negros precisaram lutar, fisicamente e psicologicamente, para conseguiram o direito de votar como qualquer ser humano), e atuações realmente boas. E mesmo assim, não emocionou.
Encontrei a resposta no mesmo fator citado acima. O clima dos confrontos não me parece natural. Parece extremamente ensaiado, cinematográfico e teatral, o que contrasta gritantemente com a proposta do filme de passar ao telespectador a realidade dos acontecimentos trágicos da época.
Não desminto, de forma alguma, as atrocidades que aconteceram. Só tenho medo de não passar a sensação certa para o público. Talvez as sequências tenham ficado parecidas demais com filmes blockbusters, o que realmente não deveria ter sido a intenção (12 Anos de Escravidão passou as sensações corretas com maestria. Desculpem a comparação).
Falando agora das atuações fenomenais do filme, já citadas, David Oyelowo arrepia em cada um dos muitos discursos como Dr. Martin Luther King Jr. O ator encarnou tão bem o papel do ativista: grita, chora e usa tão bem cada movimento do seu corpo, que a tão famosa vontade de mudança e sede de justiça do pastor ativista é quase palpável. As dificuldades e obstáculos que ele teve que enfrentar para simplesmente conseguir o direito de ser chamado e tratado como qualquer cidadão americano, é perceptível e revoltante.

Crítica | Livre
By João 1/23/2015 09:35:00 PM crítica , jean-marc vallee , livre , Oscar , reese witherspoon , topo , wild
A jornada física e psicológica para superar o luto

Crítica | Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)
By João 1/18/2015 11:38:00 PM Birdman , crítica , filme , topo
O longa narra a história de Riggan Thomson (Michael Keaton, impecável), um ator que fez muito sucesso com um único personagem: Birdman, caindo no esquecimento da indústria Hollywoodiana após recusar fazer a terceira sequência da franquia.
Amargurando a falta de notoriedade, Riggan busca no teatro sua renovação, seu antigo prestigio, porém após anos de frustrações, seus problemas já estavam muito além de cobiça por reconhecimento, cada aspecto de sua vida estava quebrado; casamento fracassado, relacionamento conturbado com a filha Sam (Emma Stone) que acaba de voltar da rehab, e, principalmente, as controvérsias com ele mesmo. Todos esses problemas são consubstanciados por uma perpétua insatisfação do personagem, que já se tornou inerente a ele, tornando-o cada vez mais ausente do mundo real e entorpecido pela busca de algo que foi perdido e jamais recuperado.
O filme se desenvolve com a tentativa de Riggan juntar seus cacos, em todos os pontos, arriscar uma reaproximação com a filha, um perdão com a ex-esposa, e, por fim, a reconquista da fama, que, no final das contas, é o seu eterno santo graal.
Nesse contexto de busca pelo reconhecimento, alguns personagens orbitam em torno do protagonista, como é o caso se seu produtor Jake (Zach Galifianakis, vivendo seu personagem mais diferenciado, mas ainda dentro da comédia), Mike Shinner (Edward Norton, sensacional, porém o personagem “desaparece” no meio do filme) e Lesley (Naomi Watts, personagem sem qualquer relevância, até agora estou me perguntando a razão de sua existência).
Com todos os personagens devidamente apresentados acho importante destacar que a única atuação que realmente se sobressai é do Michael Keaton, não que o resto esteja ruim, Emma Stone e Edward Norton estão incríveis, mas os personagens não exigiram grande coisa, acho que foram muito superestimados, talvez a Emma Stone esteja sendo tão aclamada por uma ou duas cenas que ela realmente chamou atenção, mais nada. Já o Edward Norton está praticamente se interpretando, ele é um monstro da atuação, um ator excelente, mas com um personagem que não exigiu muito dele, já demonstrou seu talento de maneira muito mais competente em outros filmes, como As Duas Faces de um Crime (1996), A Outra História Americana (1998) e Clube da Luta (1999).
Nesse frenesi de se reafirmar dentro do implacável show business, Thomson guarda dentro de si um outro eu, aquele que nunca deixou de ser o Birdman, personagem o qual é sempre lembrado por onde passa, portanto, o filme, numa caminhada meio fantástica meio irônica, traz um personagem dilacerado ao meio, um ator que ao ser imortalizado como um único personagem, o assumiu dentro de si, como uma espécie de segunda personalidade, esta que se sente poderosa, implacável, capaz de qualquer coisa, em contramão ao simples Riggan Thomson, um ator fracassado de um personagem só e que vive numa constante luta pela volta de seus tempos áureos, enlouquecido para se ver livre daquela voz que insiste em assombrar seus pensamentos.
Não é um filme de fácil interpretação, e muito menos de única, existem várias conclusões que se pode chegar com o que de fato está acontecendo na mente de Thomson, tanto que a direção graceja disso, a câmera caminha como se fosse um espião, andando pelos corredores e dobrando nos lugares para ouvir as conversas, chegando no meio de algumas, ou na saída de alguém por alguma porta, Iñárritu nos faz sentir como bisbilhoteiros do dia-a-dia daquelas pessoas, o que deixa o filme muito mais intimista, deixando claro que a mensagem deste é muito pessoal, principalmente a cena final que faz o espectador ficar pensando por horas o que de fato acabou de assistir, qual era o objetivo, e se perguntando se chegou a conclusão certa, mas a sacada genial de tudo isso é que NÃO EXISTE CERTO E ERRADO nesse filme, ele é seu, faça o que quiser com ele, pense o que quiser, porque ele é completamente aberto para suas próprias definições.
Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) é basicamente a história de um homem que está cansado, MUITO cansado, de sua eterna procura por uma satisfação inexistente, vivendo uma vida que já não o preenche mais, e ele se acostuma em viver desse modo: sempre tentando, sempre querendo, e já não sabe (e nem quer) mais viver de outra maneira, o que é demonstrado em um clímax maravilhosamente complexo e pessoal.
Uma sacada genial é como o título do filme simplesmente resume os dois fragmentos da vida de Thomson, algo que realmente apenas um roteiro genial poderia criar, apenas mais um elemento que faz do longa tão profundo e sutil, pois são nas pequenas coisas que a história vai fazendo sentido e se construindo.
Por fim, a única coisa que faltou na obra foi mais desenvolvimento em enredos paralelos, que vieram e foram como nada, completamente inúteis, como é o caso do romance engatado pelos personagens de Emma Stone e Edward Norton, ou o beijo lésbico de Naomi Watts e Merritt Weaver, histórias começadas e não terminadas e sem nenhum objetivo que acrescentasse qualquer coisa.
Essa estranha, complexa, agridoce e sarcástica dramédia é, sem dúvida, uma das obras mais ousadas que eu já vi, destrinchando a máquina impiedosa que é Hollywood no próprio quintal, e colocando Michael Keaton para viver um ator que não fez nada de significativo por anos após viver um super-herói que lhe estigmatizou (qualquer semelhança não é mera coincidência). Enfim, um filme que, com certeza, será um clássico daqueles que é uma delícia ficar discutindo por horas e horas todo o seu significado e simbolismo. Um banquete para os cinéfilos!

Crítica | Para Sempre Alice
By João 1/11/2015 08:37:00 PM crítica , Julianne Moore , Kristen Stewart , Still Alice , topo

O filme conta a história de Alice Howland (Julianne Moore) uma renomada professora de linguística, que aos 50 anos é diagnosticada com um tipo precoce de Alzheimer, de maneira que começa a esquecer gradualmente palavras, nomes, lugares, rostos e tudo que aprendeu durante a vida.
O longa teria tudo para ser uma história fenomenal, com um enredo emocionante e uma atriz do calibre de Julianne Moore para o personagem principal, e está sendo bem aceito pela grande parte da crítica ao redor do mundo, mas na minha visão, o filme não explora toda sua capacidade. Minha justificativa para tal afirmação é simples: ele não convence, não emociona.
Um filme que narra a infelicidade de uma mulher que construiu uma vida maravilhosa em seus 50 anos, e que simplesmente vai, eminentemente, perder a consciência de tudo que possui merecia uma dose maior de sensibilidade para ser contado, e o filme não consegue trazer isso, infelizmente.
O filme é veloz e em nenhum momento o espectador se sente entediado, é interessante assistir o degradar dar vida de Alice, como ela vai aprender a lidar com a nova condição, o problema é que o filme é muito regrado, pragmático, com aquelas coisas clichés que já estamos cansados de ver, como por exemplo, o momento que ela acaba se urinando por esquecer qual era a porta do banheiro, já era claro que isso ia acontecer assim que ela mencionou que iria ao banheiro, portanto, em vez de sentir pena ou solidariedade você apenas fica esperando em que momento o filme vai realmente começar a ter um diferencial, começar a ser algo que te provoque qualquer coisa exceto indiferença ou curiosidade para saber o final.
Acredito que existiu alguma espécie de intenção em focar na relação mãe e filha entre Alice e Lydia, e com isso trazer alguma empatia por essa ligação que antes da doença era tão fria e distante, outro almejo não alcançado, pois a relação das duas não desperta nada, não sei se é culpa da inabilidade de Kristen Stewart, ou se simplesmente o roteiro não ajudou mesmo, mas as cenas das duas conseguem ser as cenas mais chatas do filme.
Por fim, a cena final do filme, com absoluta certeza, foi culpa de Kristen Stewart não ter funcionado, naquele momento é notável a tentativa de fazer daquela cena algo absurdamente tocante, um momento em que se sentisse a dor da personagem e principalmente das pessoas ao seu redor, que viram uma mulher brilhante indo aos poucos se degradando por causa de uma doença insanável, porém colocaram essa responsabilidade nas mãos de quem não devia (Stewart), e acabou que o final ficou apático, incompleto, vazio, e o filme termina e você nem percebe, simplesmente porque a última cena faz você olhar para o chão e ficar contando as lajotas. Um triste resultado para um filme que poderia ter sido maravilhoso.

Critica | Boyhood - Da Infância à Juventude
By João 1/11/2015 01:13:00 PM Boyhood , crítica , Richard Linklater
Esse foi um dos filmes mais falados dessa temporada de premiações, em especial por ter sido gravado durante 12 anos, algo ainda inédito para o cinema mainstream (eu acredito). E por esse motivo minhas expectativas do filme eram no mínimo medianas, já que era de se esperar que o filme valeria muito mais pela técnica usada pelo diretor que pelo roteiro realmente. E devo dizer que estava enganada, o filme se prova estar ao nível das críticas recebidas.
Crítica | The Newsroom - 3ª Temporada
By João 12/22/2014 07:48:00 PM aaron sorkin , crítica , terceira temporada , the newsroom

Crítica | Êxodo: Deuses e Reis
By João 12/17/2014 06:08:00 AM Christian Bale , critica , crítica , Deuses e reis , êxodo , exodus , filme , Moisés , ridley scott , topo

















